segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Mês da BÍBLIA - A Imprensa de Gutemberg (1452-1455)


A B-42 de Gutenberg (1452-1455)

O primeiro livro impresso na Europa está guardado em vários museus. O mais emblemático é o Museu da Imprensa em Mainz (Mongúncia), Alemanha. A Bíblia impressa por Johannes Gutenberg é o símbolo-chave de um momento de transição da história humana. A sua invenção, a imprensa, provocou uma revolução: a propagação do «conhecimento para todos».

Uma sala na penumbra, na qual os materiais sensíveis à luz são protegidos da luz que os decomporia, envolta por paredes espessas à prova de fogo e pesadas portas de ferro. Um silêncio quase sacro envolve a parte central do Museu de Gutenberg em Mainz: o tesouro na caixa-forte.

Este tesouro é a parte do acervo composto de bíblias originais de Johannes Gutenberg, os primeiros livros impressos no mundo. Uma luz pontual atenuada permite a iluminação suave e, portanto, a visão ao visitante, de dois exemplares da Bíblia de Gutenberg sob o vidro à prova de balas das vitrines, protegidas por um sistema de alarme.

“Noventa lux de luminosidade e 50–55% de humidade do ar são as condições ideais para estes incunábulos insubstituíveis”, esclarece a directora do Museu da Imprensa em Mainz, a Dra. Eva Hanebutt-Benz.

Dos 180 exemplares da edição B-42 – 150 delas impressas em papel de manufactura italiana, e 30 em pergaminho – existem hoje apenas 49 exemplares.


Para Gutenberg, o «Projecto Bíblia» foi a obra de sua vida. Não somente o significado deste livro, mas também a sua extensão foi considerável. A obra de dois volumes compreende 1.282 páginas com 42 linhas cada – daí provém a abreviação B-42 para a Bíblia de Gutenberg – e aproximadamente 3 milhões de caractéres.

Esta impressão da Bíblia integra o Antigo e o Novo Testamento. Durante 3 anos, de 1452 até 1455, Gutenberg trabalhou com 20 colaboradores na obra. Do ponto de vista económico foram custos consideráveis que, contudo, valeram a pena.

Do ouro ao chumbo

Para fabricar mecanicamente a sua primeira Bília, Johannes Gutenberg (que tinha aprendido o ofício de ourives) combinou várias das suas invenções revolucionárias.

A famosa B-42 – a Bíblia de 42 linhas –, das quais apenas se conservam 48 exemplares de uma edição total estimada em 180 exemplares, saíra de um prelo, e era portanto um documento impresso. Há algum tempo já estavam em uso prelos para a impressão de gravuras, mas as letras da B-42 de Gutenberg não tinham sido gravadas em blocos de madeira.

A meta de Gutenberg era de criar uma impressão com letras tão belas como as manuscritas. Para tal, escolheu um exemplar manuscrito da biblioteca do mosteiro de Mainz, cuja caligrafia era a letra Textura - uam letra fortemente condensada e angulosa.

A fim de transformar em caracteres de metal a qualidade de um texto escrito à mão e obter uma imagem de texto denso e com um alinhamento homogéeo nas duas colunas, eram necessárias mais do que as 26 letras do alfabeto.

Ligaduras, contracções e abreviações foram profusamente usadas para justificar impecavelmente o texto. Ao todo, os sócios Gutenberg e Fust usaram 290 glifos diferentes nesta impressão de espantosa qualidade técnica.

Os tipos da Textura tipográfica tinham que ser grandes, para que pudessem ser legíveis nas igrejas escuras, apenas iluminadas por velas.

A B-42

A obra-mestra de Gutenberg é a Bíblia de 42 linhas (B-42). Esta obra compreende dois volumes com um total de 1282 páginas. Foi produzida por Gutenberg com a colaboração de 20 pessoas. As dimensões do «fólio real» empregue eram de 430 x 620 mm, antes da dobragem. O formato final é de 31 cm (largura) x 43 cm (altura) - quase o DIN A5, o dobro do tamanho do livro que tem agora na mão. Dos 180 exemplares impressos, existem hoje 48 exemplares, dois dos quais estão em posse do Gutenberg-Museum em Mainz.


Página de um exemplar da Bíblia de 42 linhas, o primeiro livro europeu impresso por processo industrial, na oficina de Gutenberg em Mainz. Este exemplar foi impresso a duas cores, negro e rubro (o que não aconteceu com todos os exemplares).

Esta página foi, depois da impressão do texto no prelo, ricamente iluminada, ilustrada e decorada à mão – como era uso fazê-lo nos manuscritos.

Nos 48 exemplares da B-42 que chegaram até nós, as diferenças na ilustração marcam dois estilos: cópias luxuosas e outras mais sóbrias. Mas em todas se observa o perfeito alinhamento das duas colunas de texto, conseguido através da substituição de glifos «comuns» por outros alternativos, mais largos ou mais estreitos.

No complicado processo de impressão, que implicava uma produção quase contínua, o controlo de qualidade estava integrado: assim que uma primeira folha de prova era tirada, esta era imediatamente controlada pelo revisor. Apesar disso, existem erros visíveis no impresso.

Para seguir o complicado processo de impressão e as alterações introduzidas ao longo do projecto, consulte: www.bl.uk/treasures/gutenberg/homepage.html

Gutenberg digital www.gutenbergdigital.de

The Gutenberg Bible Online Digital Facsimile www.humi.keio.ac.jp/treasures/incunabula/B42/

Bíblia latina de 48 linhas
A primeira bíblia impressa a conter a data, o local e o nome dos impressores foi dada à estampa em Mainz, 1462, pelos sócios de Gutenberg, Johannes Fust e Peter Schoeffer.

Temas relacionados
O termo incunábulo vem do latim in cuna (“berço”), e define os primórdios da arte gráfica, isto é: todo o material impresso até ao ano de 1500.

Museus e Colecções tipográficas

Bibliografia
Heitlinger, Paulo. Tipografia: origens, formas e uso das letras. Copyright © 2006 Paulo Heitlinger, ISBN 10 972-576-396-3 , ISBN 13 978-972-576-396-4, Depósito legal 248 958/06. Dinalivro. Lisboa, 2006.

Fonte: http://tipografos.net/livros-antigos/b-42.html

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