segunda-feira, 22 de abril de 2013

O ovo ou a galinha? A bíblia ou a Igreja? Afinal, o que nasceu primeiro?

Para o descrente não será difícil a resposta de que o ovo surgiu primeiro. Talvez seja por este ser um fundamentalista evolucionista ou apenas um relativista ateu. No entanto, para quem crê em Deus e na sua criação, pode se dizer que a galinha nasceu primeiro. Pois Deus criou os animais e viu que era bom (Gen 1, 21), no entanto, Deus não criou primeiro o ovo.

Noé não levou ovos para a arca e sim um casal de cada espécie (Gen 7, 2-3).
Dadas supérfluas deduções sem fim, nos vem outra dúvida e bem mais interessante:


O que surgiu primeiro? A Igreja ou a bíblia?




Dados históricos, ricos e confiáveis, nos dão a garantia de que o escrito mais antigo da Bíblia (Novo Testamento) é a epístola de São Paulo aos Tessalonicenses por volta do ano 51 D.C, e o evangelho mais antigo é o de São Marcos por volta do ano 70 D.C.

A pergunta é: A Igreja surgiu depois da bíblia? Lógico que não. A Igreja Católica não é a Igreja do livro, é a Igreja de Jesus Cristo; Igreja que é a sua esposa e mãe de todos os fiéis, dos primeiros mártires até os últimos de hoje. (Efe 5, 21-32)

Por tanto, se não cremos na Igreja é impossível crer na bíblia, se não cremos no Espírito Santo não é possível não crer naquela em que o mesmo Espírito assiste ao longo dos séculos (Jo 14, 16).  O Espírito Santo é o mesmo ontem, hoje e sempre (Heb 13, 8). Ele não diverge de idéias como nós humanos; as promessas de Jesus são as mesmas, as promessas de que o Espírito Santo estará com a Igreja são as mesmas (Mat 28,20). Então, da onde surgiu a ideia de que só é possível crer na Bíblia e em mais nada? É ridículo!  A Igreja não é uma “ONG piedosa” como disse o nosso Papa Francisco, não é uma casa de cuidados e unicamente de oração, a Igreja é o corpo de Cristo (1 Cor 12, 27), Santa, Una, Católica (universal-total-toda) e imaculada! (Jo 17, 21).

Como pode, depois de 40 anos, da morte de Jesus (ano 33) ao primeiro escrito (ano 70 D.C), um homem escrever detalhadamente os mistérios e a revelação de Nosso Senhor sem a assistência deste Espírito Santo (Jo 14, 26)? E do que a Igreja viveu ao longo destes anos? 40 anos não são 40 dias ou 40 meses. Quem conhece um pouco de filosofia e dos ensinamentos dos antigos sabe que era pela oratória e não pela escrita que se ensinava. A escrita tinha um fundamental valor, mas não era comum como nos dias de hoje.

E Paulo, que pregava aos gentios sem a Bíblia, pois ela ainda não existia, ou será que na nossa mente guardamos um pastor de bíblia na mão gritando nas praças públicas: “Aceita Jesus e tu serás salvo”? E todos criam na Bíblia e não em Paulo evidentemente [sic!].

Sejamos sinceros, somente sinceros com a verdade e com a revelação. A bíblia só foi totalmente definida como As sagradas Escrituras do cristianismo por volta do Séc. II, ou seja, quase 300 anos depois de Cristo, com muita provação e muitas “brigas” por causa dos hereges que queriam colocar qualquer fábula ou retirar livros importantes dela.

Imaginem:  Como Paulo tinha todo aquele conhecimento da revelação de Nosso Senhor a ponto de ser ele o primeiro autor do novo testamento, de onde vinha aquele conhecimento? Da bíblia? Não! Veio da Igreja por parte de Pedro, Tiago e dos apóstolos, dos mártires, dos cristãos primitivos, até do seu Ananias, lembram? Foi Ele que impôs as mãos em Paulo (Atos 9, 10) e com certeza anunciou pela primeira vez o Cristo Jesus ressuscitado aos seus ouvidos, e sem a bíblia.

Paulo (sem a bíblia), percorria o mundo anunciando á todos os gentios o evangelho e sempre alertando contra os perigos dos falsos pastores (Rom 16, 17-18).

Pois então, a bíblia é o nosso maior instrumento de anunciação sem dúvida alguma, mas não é a única fonte. Se não crer na Igreja certamente não terá como crer na bíblia, em Jesus, no Espírito Santo e em nada que se diz a respeito.

Contudo, ficar somente com a bíblia, sem a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério é como sentar num banco de uma perna só, certamente irá cair por falta de apoio.
Crer na bíblia somente depois da imprensa de Gutenberg (1455 D.C)
é crer numa bíblia de 560 anos até os dias atuais e não na que os monges levaram 11 séculos para cultivá-la palavra por palavra.

Sejamos vivos e adultos, não infantis. Chega de beber leite e vamos comer alimento sólido (Heb 5, 13-14), pois é chegada á hora e o justo virá na Parusia e até lá a história continuará, o cristianismo continuará, a Igreja prevalecerá com ou sem a bíblia.

Não estou sendo contra a bíblia e questionando a sua autencidade, mas sim tentando de uma forma argumentativa colocar os pingos nos “is”. Estou "cheio" de gente desqualificada, ignorante e sem conhecimento ficar empunhando as Sagradas Escrituras indevidamente, sem autoridade alguma, como se ela fosse um passaporte para a “sua verdade”, única e absoluta.

Para terminar, pense mais uma vez comigo: Será que Jesus teria dito a Pedro: - Porém te digo que tu és Pedro e sobre este pergaminho lhe darei a bíblia e as portas do inferno jamais a destruirão qualquer folha que seja e tudo que escrever será escrito e o que apagar será apagado?
Não é isso!  Jesus confiou a Pedro a Sua Igreja! E prometeu a assistência do Espírito Santo até a sua volta. A Igreja foi fundada por Cristo; Ele disse a “minha Igreja” (não a sua ou de beltrano, de fulano ou de cicrano, mas “A minha Igreja” disse Jesus (Mat 16, 18).

Por isto eu te digo: Este blog é meu. Não disse que ele é seu para você fazer o que quiser. Ele é seu para ser lido, para participar, colaborar, pesquisar, aprender, evangelizar e ensinar. Mas de forma alguma é seu. Você tem a senha? Somente eu posso postar ou cancelar de vez este blog, eu tenho esta autoridade. Semelhante é Jesus com a sua Igreja, fundada e entregue aos cuidados dos apóstolos, assegurada para o depósito da fé por meio de Pedro e do colégio dos bispos.

Concluindo, então o gabarito é este: O que surgiu primeiro foi a Igreja. 

E a Igreja Católica mais precisamente, pois segundo um escrito de Santo Inácio, bispo de Antioquia por volta do ano 107 D.C (ainda não havia a bíblia) na carta aos Esminenses (Cap. VIII) diz: “Onde quer que se apresente o bispo, ali também esteja á comunidade, assim como a presença de Cristo Jesus também nos assegura a presença da Igreja Católica.” e mais posteriormente, quando enfim já existia a bíblia, Santo Agostinho no Séc. IV disse: “Quanto a mim, não acreditaria no Evangelho se não me movesse a isso a autoridade da Igreja Católica”.

Ego vero Evangelio non crederem, nisi me catholicae Ecclesiae commoveret auctoritas.

Fontes: Bíblia sagrada; Bispo Santo Inácio de Antioquia (67-107) Carta as Esminenses cap. VIII; Bispo Santo Agostinho de Hipona (354-430) Contra epistulam Manichaei quam vocant fundamenti, 5,6; Catecismo da Igreja Católica; Curso de história da Igreja antiga com o Padre Paulo Ricardo http://padrepauloricardo.org.

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