terça-feira, 21 de agosto de 2012

As excelências da Batina


Pe. Jaime Tovar Patrón

Esta breve coleção de textos nos recorda a importância do uniforme sacerdotal, a batina ou hábito talar. Valha outro tanto para o hábito religioso próprio das ordens e congregações. Em um mundo secularizado, da parte dos consagrados não há melhor testemunho cristão que a vestimenta sagrada nos sacerdotes e religiosos.


“Sete excelências da batina.”

“Atente-se como o impacto da batina é grande ante a sociedade, que muitos regimes anticristãos a têm proibido expressamente. Isto nos deve dizer algo. Como é possível que agora, homens que se dizem de Igreja desprezem seu significado e se neguem a usá-la?”

Hoje em dia são poucas as ocasiões em que podemos admirar um sacerdote vestindo sua batina. O uso da batina, uma tradição que remonta a tempos antiqüíssimos, tem sido esquecido e às vezes até desprezado na Igreja pós-conciliar. Porém isto não quer dizer que a batina perdeu sua utilidade, se não que a indisciplina e o relaxamento dos costumes entre o clero em geral é uma triste realidade.


A batina foi instituída pela Igreja pelo fim do século V com o propósito de dar aos seus sacerdotes um modo de vestir sério, simples e austero. Recolhendo, guardando esta tradição, o Código de Direito Canônico impõe o hábito eclesiástico a todos os sacerdotes.

Contra o ensinamento perene da Igreja está a opinião de círculos inimigos da Tradição que tratam de nos fazer acreditar que o hábito não faz o monge, que o sacerdócio se leva dentro, que o vestir é o de menos e que o sacerdote é o mesmo de batina ou à paisana.

Sem dúvida a experiência mostra o contrário, porque quando há mais de 1500 anos a Igreja decidiu legislar sobre este assunto foi porque era e continua sendo importante, já que ela não se preocupa com ninharias.

Em seguida expomos sete excelências da batina condensadas de um escrito do ilustre Padre Jaime Tovar Patrón.


1ª RECORDAÇÃO CONSTANTE DO SACERDOTE

Certamente que, uma vez recebida a ordem sacerdotal, não se esquece facilmente. Porém um lembrete nunca faz mal: algo visível, um símbolo constante, um despertador sem ruído, um sinal ou bandeira. O que vai à paisana é um entre muitos, o que vai de batina, não. É um sacerdote e ele é o primeiro persuadido. Não pode permanecer neutro, o traje o denuncia. Ou se faz um mártir ou um traidor, se chega a tal ocasião. O que não pode é ficar no anonimato, como um qualquer. E logo quando tanto se fala de compromisso! Não há compromisso quando exteriormente nada diz do que se é. Quando se despreza o uniforme, se despreza a categoria ou classe que este representa.


2ª PRESENÇA DO SOBRENATURAL NO MUNDO

Não resta dúvida de que os símbolos nos rodeiam por todas as partes: sinais, bandeiras, insígnias, uniformes… Um dos que mais influencia é o uniforme. Um policial, um guardião, é necessário que atue, detenha, dê multas, etc. Sua simples presença influi nos demais: conforta, dá segurança, irrita ou deixa nervoso, segundo sejam as intenções e conduta dos cidadãos.

Uma batina sempre suscita algo nos que nos rodeiam. Desperta o sentido do sobrenatural. Não faz falta pregar, nem sequer abrir os lábios. Ao que está de bem com Deus dá ânimo, ao que tem a consciência pesada avisa, ao que vive longe de Deus produz arrependimento.

As relações da alma com Deus não são exclusivas do templo. Muita, muitíssima gente não pisa na Igreja. Para estas pessoas, que melhor maneira de lhes levar a mensagem de Cristo do que deixar-lhes ver um sacerdote consagrado vestindo sua batina? Os fiéis tem lamentado a dessacralização e seus devastadores efeitos. Os modernistas clamam contra o suposto triunfalismo, tiram os hábitos, rechaçam a coroa pontifícia, as tradições de sempre e depois se queixam de seminários vazios; de falta de vocações. Apagam o fogo e se queixam de frio. Não há dúvidas: o “desbatinamento” ou “desembatinação” leva à dessacralização.


3ª É DE GRANDE UTILIDADE PARA OS FIÉIS

O sacerdote o é não só quando está no templo administrando os sacramentos, mas nas vinte e quatro horas do dia. O sacerdócio não é uma profissão, com um horário marcado; é uma vida, uma entrega total e sem reservas a Deus. O povo de Deus tem direito a que o auxilie o sacerdote. Isto se facilita se podem reconhecer o sacerdote entre as demais pessoas, se este leva um sinal externo. Aquele que deseja trabalhar como sacerdote de Cristo deve poder ser identificado como tal para o benefício dos fiéis e melhor desempenho de sua missão.


4ª SERVE PARA PRESERVAR DE MUITOS PERIGOS

A quantas coisas se atreveriam os clérigos e religiosos se não fosse pelo hábito! Esta advertência, que era somente teórica quando a escrevia o exemplar religioso Pe. Eduardo F. Regatillo, S.I., é hoje uma terrível realidade.

Primeiro, foram coisas de pouca monta: entrar em bares, lugares de recreio, diversão, conviver com os seculares, porém pouco a pouco se tem ido cada vez a mais.

Os modernistas querem nos fazer crer que a batina é um obstáculo para que a mensagem de Cristo entre no mundo. Porém, suprimindo-a, desapareceram as credenciais e a mesma mensagem. De tal modo, que já muitos pensam que o primeiro que se deve salvar é o mesmo sacerdote que se despojou da batina supostamente para salvar os outros.

Deve-se reconhecer que a batina fortalece a vocação e diminui as ocasiões de pecar para aquele que a veste e para os que o rodeiam. Dos milhares que abandonaram o sacerdócio depois do Concílio Vaticano II, praticamente nenhum abandonou a batina no dia anterior ao de ir embora: tinham-no feito muito antes.


5ª AJUDA DESINTERESSADA AOS DEMAIS

O povo cristão vê no sacerdote o homem de Deus, que não busca seu bem particular se não o de seus paroquianos. O povo escancara as portas do coração para escutar o padre que é o mesmo para o pobre e para o poderoso. As portas das repartições, dos departamentos, dos escritórios, por mais altas que sejam, se abrem diante das batinas e dos hábitos religiosos. Quem nega a uma monja o pão que pede para seus pobres ou idosos? Tudo isto está tradicionalmente ligado a alguns hábitos. Este prestígio da batina se tem acumulado à base de tempo, de sacrifícios, de abnegação. E agora, se desprendem dela como se se tratasse de um estorvo?


6ª IMPÕE A MODERAÇÃO NO VESTIR

A Igreja preservou sempre seus sacerdotes do vício de aparentar mais do que se é e da ostentação dando-lhes um hábito singelo em que não cabem os luxos. A batina é de uma peça (desde o pescoço até os pés), de uma cor (preta) e de uma forma (saco). Os arminhos e ornamentos ricos se deixam para o templo, pois essas distinções não adornam a pessoa se não o ministro de Deus para que dê realce às cerimônias sagradas da Igreja.

Porém, vestindo-se à paisana, a vaidade persegue o sacerdote como a qualquer mortal: as marcas, qualidades do pano, dos tecidos, cores, etc. Já não está todo coberto e justificado pelo humilde hábito religioso. Ao se colocar no nível do mundo, este o sacudirá, à mercê de seus gostos e caprichos. Haverá de ir com a moda e sua voz já não se deixará ouvir como a do que clamava no deserto coberto pela veste do profeta vestido com pêlos de camelo.


7ª EXEMPLO DE OBEDIÊNCIA AO ESPÍRITO E LEGISLAÇÃO DA IGREJA

Como alguém que tem parte no Santo Sacerdócio de Cristo, o sacerdote deve ser exemplo da humildade, da obediência e da abnegação do Salvador. A batina o ajuda a praticar a pobreza, a humildade no vestiário, a obediência à disciplina da Igreja e o desprezo das coisas do mundo. Vestindo a batina, dificilmente se esquecerá o sacerdote de seu importante papel e sua missão sagrada ou confundirá seu traje e sua vida com a do mundo.

Estas sete excelências da batina poderão ser aumentadas com outras que venham à tua mente, leitor. Porém, sejam quais forem, a batina sempre será o símbolo inconfundível do sacerdócio, porque assim a Igreja, em sua imensa sabedoria, o dispôs e têm dado maravilhosos frutos através dos séculos.



Notas:

- O autor: Padre Jaime Tovar Patrón, coronel capelão, ocupou importantes responsabilidades no Vicariato Castrense. Oriundo de Extremadura, Espanha, foi grande orador sacro. Autor do livro Los curas de la Cruzada, autêntica enciclopédia dos heróicos sacerdote que desenvolveram seu trabalho pastoral entre os combatentes da gloriosa Cruzada de 1936. É, ademais, uma história do sacerdócio castrense. Faleceu em janeiro de 2004.

- Código de Direito Canônico (1983): Livro II, I Parte, Título III, Capítulo III:

Cân. 284 Os clérigos usem hábito eclesiástico conveniente, de acordo com as normas dadas pela Conferência dos Bispos e com os legítimos costumes locais.

Cân. 285 § 1. Os clérigos se abstenham completamente de tudo o que não convém ao seu estado, de acordo com as prescrições do direito particular.

§ 2. Os clérigos evitem tudo o que, embora não inconveniente, é, no entanto, impróprio ao estado clerical.

- Convém recordar: muitos sacerdotes e religiosos mártires pagaram com seu sangue o ódio à fé e à Igreja desencadeado nas terríveis perseguições religiosas dos últimos séculos. Muitos foram assassinados simplesmente por vestirem a batina. O sacerdote que veste a batina é para todos um modelo de coerência com os ideais que professa, à vez que honra o cargo que ocupa na sociedade cristã.

Se bem é certo que o hábito não faz o monge, também é certo que o monge veste hábito e o veste com honra. Que podemos pensar do militar que despreza seu uniforme? O mesmo que do vigário que despreza sua batina!

Fonte: http://www.derradeirasgracas.com

Publicada por Mons.Lebrum

Gola branca identifica os padres

Você já parou para observar o que faz com que, pelo menos à primeira vista, um padre seja imediatamente identificado pelo povo? Da mesma forma de que o jaleco branco identifica o médico e a farda identifica o policial, o traje clerical, ou simplesmente o "clergyman", identifica os presbíteros e todos os clérigos.

O nome pode até soar estranho, já que a palavra é da língua inglesa e não tem uma correspondente direta no português. Mas o termo faz referência à indumentária bastante conhecida por todos os católicos: a famosa gola branca do sacerdote.

Ao pé da letra, "clergyman", pode ser entendido como "aquilo que veste o homem clérigo". No Brasil, a gola branca do padre, é popularmente conhecida por "clesma", apesar da palavra não ter reconhecimento oficial nos dicionários.

Para a Igreja, como explica o padre Jaime Sidônio, chanceler da Arquidiocese de Belém, o "clergyman" nada mais é do que uma simplificação da batina. "Tudo indica que surgiu como uma simplificação do traje clerical, já que o traje clerical oficial era a batina. Mesmo não estando de batina, se mantém a identificação exterior, através da camisa com a gola branca", explica.

Com o passar do tempo, a simplificação caiu no gosto dos padres, devido à praticidade. Nos dias atuais, o colarinho é uma espécie de distintivo dos sacerdotes, como observa o padre José Antônio Tejada, pároco de Jesus Bom Samaritano, no conjunto Cordeiro de Farias, no Tapanã.

"Há uma recomendação que sempre se use, pois é um sinal da presença de um clérigo nos locais. Quando vou ao hospital, por exemplo, se estou com o 'clergyman' as pessoas logo me reconhecem como padre e se sentem à vontade para cumprimentar, pedir bênção. Se não estivesse, poderia passar despercebido. Vejo que é como um sinal que estou a serviço de Deus", comenta.

Assim como acontece com o padre Tejada, dificilmente se encontra o padre Sebastião Filho, reitor do Seminário São Pio X, sem o "clergyman". Pare ele, a roupa clerical é quase uma espécie de segunda pele. "As pessoas notam que sempre uso, mas na verdade não sei explicar como comecei. Lembro de que não usava e até me ordenei padre apenas com uma 'roupa social'. Para mim, acaba servindo como uma forma de renúncia aos modismos também. Hoje, se não uso me sinto desconfortável, parece que falta algo", conta.

Padre Fialho lembra que percebeu a ligação de que a gola branca transmite ao povo, certa vez, em um shopping center. "Andava por ali, quando uma mulher veio falar comigo. Ela me contou que estava precisando de orientação. Conversamos e depois ela me telefonou e disse que com isso havia ajudado-a muito, então ela me agradeceu. Por isso, entendo que os padres devem utilizar e mostrar que estão a serviço do povo de Deus. Padre não pode se esconder. Da mesma forma, não pode se esconder atrás das vestes de padre", prega.

Sobre a obrigatoriedade do colarinho na Arquidiocese de Belém, padre Jaime Sidônio explica que é uma recomendação, não uma obrigação. "Não é obrigatório, mas evidentemente aconselhável. Naturalmente há situações que exigem o uso dessa veste. Claro que cada congregação ou ordem religiosa tem seu hábito próprio, mas o "clergyman" independe disso. Todos os clérigos podem usá-lo".

UNIVERSAL

Aceito e reconhecido pela sociedade em geral por ser uma identificação imediata dos padres católicos apostólicos romanos perante a população, se você já viu pessoas de outras igrejas utilizando o "clergyman" não se espante.

Embora a sua origem seja uma adaptação do colarinho romano, acessório dos padres católicos inventado por volta do século 17, os anglicanos passaram também a utilizar a gola em meados do século 19 com o colarinho em forma de tira removível.

À época, não só os anglicanos adotaram, mas a maioria das denominações protestantes. Entretanto, devido a forte associação feita pela população entre o "clergyman" e os padres católicos, hoje, sobretudo no Brasil, dificilmente essas denominações utilizam o colarinho de gola branca.

O QUE DIZ O VATICANO

Direito Canônico, número 284

"Os clérigos usem hábito eclesiástico conveniente, de acordo com as normas dadas pelas conferências dos Bispos e com os legítimos costumes locais".

Nota de rodapé do cânone 284

Após entendimentos laboriosos com a Santa Sé, ficou determinado que os clérigos usem, no Brasil, um traje eclesiástico digno e simples, de preferência o "clergyman"(camisa clerical) ou "batina". (Legislação Complementar da CNBB contida na versão brasileira do Código Canônico).

DIFERENCIE CADA TERMO

» Traje eclesiástico

Engloba o traje clerical e o hábito religioso.

» Hábito religioso

Veste apropriada prescrita pelas regras e constituições de cada instituto. Assim, há, por exemplo, o hábito dos carmelitas, dos franciscanos, dos redentoristas e dos capuchinhos. Um diferente do outro.

» Traje clerical

Utilizado pelos clérigos e seminaristas seculares, ou seja, diocesanos, e pelos religiosos que não possuem hábito próprio, como os jesuítas e os salesianos. O traje clerical pode ser batina ou calça e camisa com clergyman.

Fonte: http://www.fundacaonazare.com.br/voz/ler.php?id=3574&edicao=111



2 comentários:

  1. tenho vinte anos. não fui catequizado em nenhuma igreja. sou cristão (ou seja, sigo os ensinamentos do cristo jesus, que estão contidos no novo testamento, nomeadamente nos quatro evangelhos). admiro a batina preta como uma bela peça, simples, discreta, elegante até e dignificante para aquele que a veste com pureza de coração, servindo aos princípios cristãos. tenho pensado em seguir a vida eclesiástica, desde que a ideia me foi "soprada" quando eu contava quatorze anos, durante minha oitava série, porém não fui adiante. hoje posso avaliar com mais justeza e declaro que, assim como outras tantas instituições, as igrejas, dum modo geral, estão muito politizadas, exigentes e depedentes das coisas deste mundo, afastadas da simplicidade material de jesus e seus apóstolos e de suas seguidoras... inegavelmente, há corrupção, hipocrisia, opulência... não se pode servir a deus e a mamon! as igrejas só pensam em fazer festas, banquetes, pagamentos e agitações; os templos deveriam ser lugares de recolhimento, serenidade, calma e, sobretudo, de mais silêncios que conversas e abraços e grupos etc. sei que muitos me censurarão por tais observações, mas a seguinte ninguém poderá julgar, "porque deus sabe tudo que acontece nas moradas da sua casa, e dará a cada um de acordo com suas obras"...

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    1. Querido Jovem,
      Estou em pleno acordo com a sua maneira de ver, pois já tive esta mesma visão que você antes. O interessante é isto mesmo, buscar a interiorização e o recolhimento e digo mais; depois de ter casado e tido dois filhos eu adentrei neste mundo espiritual como não tinha adentrado antes e acredite, fiquei tão enriquecido que se estivesse experimentado antes eu teria seguido a vocação sacerdotal com absoluta certeza. Mas acho que Deus quis uma outra vocação pra mim, árdua e com cruz com certeza, mas não clerical. Hoje busco cada dia conviver com o sofrimento, com a cruz, com o recolhimento e interiorização; meditando, rezando e sempre buscando respostas onde um mundo relativista, sentimentalista e consumista, barulhento e manipulador não dá. Agora meu amigo, não conclua com respostas que julgam verdadeiras, lhe aconselho a buscar respostas com os santos, e acredite; existe muita gente, muitos religiosos, muitos padres que vivem e seguem o evangelho de Cristo e de sua Igreja esposa imaculada, do jeito que você sonha (eu acho). Um abraço, se quiser me envie e-mails, irei lhe responder com satisfação, me identifiquei com você e creio que posso ajudar mais. Um abraço e Deus o ilumine e abençoe. wsferreira81@hotmail.com

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