quarta-feira, 25 de julho de 2012

Estudando a música litúrgica (Ens. 79 da CNBB)


Santa Cecilia

Nos dias de hoje, vemos que muitos "músicos" não entendem o verdadeiro valor da música sacra na Igreja, com isto, vem se tornando um movimento do "toco e canto o que quero" nas missas, gerando uma pertubação incrível, tanto para os fiéis como para a preparação litúrgica.

Com isto, vamos iniciar um bom estudo sobre a música litúrgica e perceber com este estudo, a real importância da música na liturgia. Vamos conhecer a história da música litúrgica, os documentos da Igreja, o Sacrosanctum Concilium e aprender de forma conciva o que nos ensina a santa mãe Igreja.

Bons estudos.

1. COMO VAI A MÚSICA LITÚRGICA ENTRE NÓS?

1.1. O SONHO DO ÚLTIMO CONCÍLIO ECUMÊNICO

1. Trinta e cinco anos atrás, a primeira e solene palavra do Concílio Vaticano II
foi justamente a Constituição sobre a Sagrada Liturgia, datada de 4 de dezembro de 1963.
Este importante documento veio antes de tudo reavivar a fé tradicional da Igreja: Nunca,
depois disto (isto é, após a vinda do Espírito Santo, no dia de Pentecostes), a Igreja deixou
de reunir-se para celebrar o Mistério Pascal: lendo “tudo quanto a Ele (Jesus) se referia
em todas as Escrituras” (Lc 24,27), celebrando a Eucaristia, na qual “se torna
novamente presente a vitória e o triunfo da sua morte” (Conc. de Trento) e, ao mesmo
tempo, dando graças “a Deus pelo dom inefável” (2Cor 9,15) em Jesus Cristo, “para
louvor de sua glória” (Ef 1,12), pela força do Espírito Santo.


2. O grande anseio do Concílio, naquele momento, e dos que hoje nos
preocupamos com a Liturgia era e é: que todos os fiéis sejam levados àquela plena,
cônscia e ativa participação das celebrações litúrgicas, que a própria natureza da
Liturgia exige e à qual, por força do batismo, o povo cristão, “geração escolhida,
sacerdócio régio, gente santa, povo da conquista” (1Pd 2,9; cf. 2,4-5), tem direito e
obrigação.

3. É neste contexto ideal que devemos situar o canto de nossas Comunidades
Cristãs ao celebrarem sua fé, e conseqüentemente o exercício dos ministérios musicais. E
é o mesmo Concílio que, ao constatar que grande parte da participação da assembléia é
assegurada pela música, pelo canto, percebe e proclama que a música, o canto litúrgico,
não são apenas “enfeite”, mas fazem parte necessária ou integrante da liturgia solene
.
Por esta razão, os que exercem nestas celebrações algum serviço musical, cantores,
instrumentistas, regentes ou animadores do canto da assembléia desempenham verdadeiro
ministério litúrgico. Mas é importantíssimo recordar, já de início, a concepção que os
padres conciliares tinham da função ministerial da música sacra no culto do Senhor.
Segundo eles, a música sacra será tanto mais santa quanto mais intimamente estiver
ligada à ação litúrgica, quer exprimindo mais suavemente a oração, quer favorecendo a
unanimidade, quer, enfim, dando maior solenidade aos ritos sagrados
.

4. Para essa participação ser também frutuosa, como deseja o Concílio, tem-se
buscado, entre nós, uma resposta sincera à pergunta: “como ligar mais profundamente
liturgia e vida?”... Pensando concretamente em nossa realidade de América Latina, de
Brasil, e levando em conta a diversidade das regiões, como as celebrações litúrgicas
poderiam suscitar em seus participantes um compromisso com a transformação, tanto
pessoal quanto social, como testemunho e sinal do Reino de Deus entre nós?... E o que a
música e o canto de nossas celebrações têm a ver com isso?...

5. Vamos erguer nosso olhar sobre o caminho percorrido, procurando
identificar quanto de bom se realizou e precisa não só ser mantido, mas avançar... quanto
de falho ainda permanece e precisa ser corrigido ou superado..., bem como nossas chances
de progresso e crescimento.

1.2. NOSSOS ÊXITOS, O QUE DE MELHOR TEMOS CONSEGUIDO.

6. A experiência universal prova que o canto cria comunidade, liga as pessoas
entre si, e mais eficazmente as põe em sintonia com o Mistério, com Deus. Podemos
verificar que no Brasil, em nossa Igreja Católica, dentro do processo da renovação
litúrgica, vem-se fazendo grande esforço para criar uma música na linguagem do povo,
enraizada tanto na tradição bíblico-litúrgica quanto na nossa experiência eclesial latinoamericana
e brasileira e na cultura musical do nosso país, na variedade cultural de suas
regiões.

7. Desde a década de 60, vêm-se realizando encontros nacionais e regionais de
músicos, musicólogos, folcloristas e liturgistas, especialmente por iniciativa da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tendo em vista o estudo, a criação e
o incentivo de uma música litúrgica brasileira.

8. Em nível regional e diocesano, anualmente, se organizam “Cursos de Canto
Pastoral e Litúrgico”. Neles, além de os músicos das mais diversas regiões terem a
oportunidade de apresentar suas novas composições, cuida-se também da formação
litúrgica dos participantes.

9. Desde 1992, o Curso Ecumênico de Formação e Atualização Litúrgico-
Musical (CELMU) procura ajudar na preparação adequada de compositores(as), letristas,
animadores(as) de canto, regentes e instrumentistas engajados na pastoral litúrgicomusical.
Através deles e delas, as comunidades estão conhecendo, apreciando e
executando cantos provindos de outras Igrejas e tradições cristãs.

10. A Campanha da Fraternidade, desde 1964, tem organizado, anualmente,
concursos que possibilitam a criação de textos e melodias sobre determinado aspecto
social da realidade brasileira.

11. Grande variedade de publicações, nestes últimos anos, tem dado apoio
eficiente à prática da música litúrgica em todas as regiões do nosso país. Primeiro, na
euforia da renovação conciliar, apareceram as Fichas Pastorais. Em seguida, publicou-se o
“Cantos e Orações”, que recolheu e divulgou o que parecia válido e atual tanto em antigas
coletâneas, como Harpa de Sião e Cecília, como nas criações mais recentes do pós-
Concílio... A série “Povo de Deus” representou grande esforço de levar a assembléia a
cantar os textos próprios da Missa de cada domingo, com melodias e ritmos brasileiros.
Muitos compositores de renome nacional foram convidados a participar desse
empreendimento. Um pouco por toda a parte, foram-se multiplicando as publicações de
livros ou cadernos de cantos, de gravações e partituras, ligadas ou não aos folhetos
litúrgicos, por iniciativa dos próprios compositores, de Editoras, Dioceses, Pastorais,
Movimentos ou Grupos. Duas publicações merecem destaque, pela qualidade criteriosa de
seus repertórios e pelo alcance de sua eficácia pastoral, espiritual e litúrgica: os quatro
volumes do Hinário Litúrgico da CNBB e o Ofício Divino das Comunidades (ODC).

12. A participação do povo no canto litúrgico tem recebido apoio e incentivo
da parte de muitos pastores. Em numerosas comunidades, as celebrações vão-se tornando
mais vivas e vibrantes, e o canto de toda a assembléia cresce e se faz amplamente
presente.

13. A introdução e uso dos mais diversos instrumentos, na grande maioria das
comunidades, enriqueceu e valorizou o canto litúrgico.

14. O repertório litúrgico-musical tornou-se bastante amplo e variado,
procurando responder, também, a novas formas de celebração, como, por exemplo, as
celebrações dominicais nas CEBs, as Romarias, os Louvores, as Vigílias...

15. A Bíblia, a vida do povo, a religiosidade popular e as raízes musicais
populares têm sido consideradas como fontes de inspiração na composição do canto
litúrgico.

16. Cada vez mais tem-se dado importância à expressão simbólica e corporal,
mediante gestos, encenações e danças ligadas ao canto, tornando as celebrações mais
afetivas e expressivas, menos verbais e cerebrais.

17. As possibilidades de criatividade que os livros litúrgicos oferecem estão
sendo melhor aproveitadas. Nos últimos anos, vem-se dando maior atenção aos cantos do
assim chamado Ordinário, isto é, às partes fixas da celebração, como também às
aclamações do povo, cantadas, na Oração Eucarística.

18. Na última década, surgiram cantos que correspondem mais à índole própria
das diversas regiões e comunidades, significando um avanço no processo da inculturação,
quanto aos textos, às melodias, aos ritmos e instrumentos. A publicação do ODC e dos
subsídios que o acompanham tem-se destacado dentro deste processo.
19. A introdução de refrãos meditativos, no início ou mesmo em algum
momento da celebração, tem favorecido o clima de oração, de meditação, de
concentração, de paz, de atenção. São pequenas frases, simples, de fácil memorização e
repetição, com texto e melodia de boa qualidade.

20. A tomada de consciência do “ministério da música”, por parte dos músicos
e cantores,
tem feito crescer a responsabilidade na preparação e execução das celebrações
litúrgicas.
21. Ao lado da prática do canto gregoriano e da polifonia vocal em algumas
Igrejas e mosteiros, as comunidades vão tomando consciência do valor do canto como
parte integrante da liturgia,
como fator de participação ativa e frutuosa, e como espaço
para o exercício da criatividade.

Para refletir:

22. • Na sua comunidade eclesial, dá para perceber alguns dos êxitos acima
registrados, ou mesmo outras coisas positivas, na experiência musical das comunidades
cristãs?
• Na sua própria atuação, no exercício do seu ministério musical, você
reconhece algum destes sinais positivos?

Nenhum comentário:

Postar um comentário